Teixeira, Pinto & Soares, SA. A empresa de Amarante que está a fazer o “Batalha Centro de Cinema”

7 de Maio, 2021

Notícia de Amarante Magazine, por Nicolau Ribeiro.

““Vai no Batalha” é, ainda hoje, uma expressão em pleno uso na cidade do Porto, principalmente entre as classes populares, mas que marcou, sobretudo, as gerações de portuenses da segunda metade do século XX, época em que as salas de cinema se enchiam, à noite e aos fins de semana, em sessões de aventura, drama, comédia ou artes marciais e transportavam os espectadores para cenários de ilusão e fantasia.

De tão usada, “Vai no Batalha” entrou, com direito próprio, no Dicionário de Calão do Porto, de Carlos Brito (2016), cujo autor contextualiza, assim, o seu uso e significado: “É mentiraestás a fazer um grande filmeestás a exagerar”.

A expressão, acrescenta o autor, “remete para o Cinema Batalha, na praça com o mesmo nome, palco de excelência da cidade, onde passavam os grandes filmes (…), até vir a moda das salas de cinema dos centros comerciais. O Cinema Batalha fechou há muito a bilheteira, mas a expressão ficou e é usada sempre que alguém pretende refutar o seu interlocutor quanto à veracidade dos factos que relata. De tão pouco credíveis, mais se aparentam a um filme!”

Pois bem, em breve, a expressão “Vai no Batalha”, terá tudo para voltar a ser usada com propriedade. O Cinema Batalha, encerrado desde 1974, vai, em fevereiro de 2022, voltar a abrir portas, completamente restaurado, estando a passar por obras de transformação que ascendem a cerca de 4 milhões de euros.

Os trabalhos foram adjudicados pela Câmara Municipal do Porto (através da empresa Municipal Go Porto) à TPS – Teixeira Pinto & Soares, SA., uma empresa de Amarante com tradição e nome feito na execução de empreitadas públicas e privadas, nomeadamente de construção, restauro e reabilitação de edifícios com elevado interesse histórico e patrimonial.

 

Quem é a TPS?

A reabilitação do Cinema Batalha e sua transformação em “Batalha Centro de Cinema” – feita com base num exigente caderno de encargos – constituirá mais um marco na história da TPS, SA., que tem já o seu nome ligado à reabilitação de outros emblemáticos edifícios e monumentos como é o caso do Convento do Desagravo do Santíssimo Sacramento (Lisboa); Convento de Jesus (Setúbal); Teatro Luís de Camões (Lisboa); Palácio de Dom Manuel (Évora) ou o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (Abrantes).

Bruno Soares, Presidente do Conselho de Administração, refere, a propósito, que “A TPS, S.A., é, hoje, uma empresa com capacidade para executar as grandes empreitadas de construção civil nacionais, mantendo o seu cariz familiar”. 

“O nosso futuro, acrescenta, passa pelo contínuo crescimento e consolidação no mercado nacional, alicerçando os nossos princípios numa política consistente de recursos humanos, segundo a qual os nossos colaboradores são a chave de sucesso da empresa. Ao longo dos 24 anos de existência, percorremos um caminho exigente, mas seguro, que nos dá a convicção de que estamos preparados para um futuro melhor, mais otimista e atrativo, sem nunca esquecer o nosso propósito de servir os clientes e de produzir riqueza económica e social.”

De acordo com aquele responsável, A TPS, SA. tem em curso empreitadas de reabilitação de grande valor e de execução complexa, em que o património móvel e integrado a intervencionar tem uma relevância muito significativa.

“Falamos, diz, de empreitadas como a reabilitação da Sé Catedral de Portalegre, do Teatro Garcia de Resende ou da requalificação do Salão Central Eborense. Apesar de a TPS se ter especializado ao longo dos últimos anos na reabilitação, não somos somente uma empresa centrada nesse foco. Somos, acima de tudo, uma empresa de execução de grandes empreitadas de edifícios ou equipamentos públicos. Temos em curso empreitadas como centros escolares (Parque Escolar), hospitais (IPO), unidades de cuidados continuados, centros de saúde (SRU Lisboa), habitações sociais (Câmara de Lisboa), entre outras”, sublinha o Presidente do Conselho de Administração.

Do portfólio de empreitadas públicas da TPS, SA. fazem parte, ainda, obras como a construção do Lar Residencial para Idosos de Anta (Espinho); a ampliação e reabilitação do Hospital Pulido Valente (Lisboa) e a ampliação e reabilitação das Termas Romanas de S. Pedro do Sul.

No setor das obras privadas, o portfólio da TPS, SA. é, também, diversificado, incluindo várias obras de dimensão significativa, como a da ampliação e reabilitação do Antigo Palacete em Cedofeita (Porto); a construção e reabilitação do Hotel Le Consulat (Largo Luís de Camões – Lisboa); ou a construção do edifício habitacional Horizonte, na Ericeira. Em Amarante, especificamente, a empresa teve a seu cargo a construção da CampusClinic.”

 

No mercado à 24 anos

A Empresa Teixeira Pinto & Soares, Lda. foi constituída em 1997, com um capital Social de 600 contos, tendo, então, como sede, um espaço na Rua Francisco Sá Carneiro, em Amarante, e como Sócio Gerente Fernando da Cunha Soares.

Em dezembro de 2015, foi transformada em Sociedade Anónima e em outubro de 2017 passou a ser detida pela Latitude Capital SGPS, S.A.

Tendo começado a sua atividade com um Alvará de classe 1, a TPS, SA. tem, hoje, Alvará de classe 9, presta serviços a entidades públicas e privadas e o seu capital social é de 1 milhão e 750 mil euros.

A Teixeira Pinto & Soares, SA. tem sede na Zona Industrial de Telões (Amarante), escritório na rua Augusto Rosa, 79 (Porto) e Delegação na Rua Marciano Tomaz da Costa (Cacém). O Conselho de Administração é constituído por dois membros, sendo presidente Bruno Fernando Macedo Soares e vogal Pedro Miguel Macedo Soares.

Tendo como objetivo faturar, em 2021, 45 milhões de euros e conseguir novas adjudicações no valor de 50 milhões, a TPS, SA. emprega 119 colaboradores e conta com inúmeros projetos concluídos ao longo dos seus 24 anos de atividade.

 

O novo “Cinema Batalha”

O Cinema Batalha, sucedâneo dos salões High-Life, foi construído segundo projeto do arquiteto Artur Andrade, e inaugurado em 3 de junho de 1947. Associados à sua construção estiveram também o engenheiro civil Bernardino de Barros Machado; os pintores Júlio Pomar, Augusto Gomes, António Sampaio e os escultores Américo Braga e Arlindo Gonçalves.

Originalmente, o Cinema Batalha era constituído por dois auditórios: um com capacidade para 950 lugares sentados (plateia 346, tribuna 222, balcão 382) e outro que acomodava 135 pessoas. Tinha ainda dois bares e um restaurante com esplanada. Em 1974, nasceu, na sua cave, a Sala Bebé, que passou a ocupar o espaço que havia sido da cafetaria.

Em 1974, viria a fechar portas, mantendo-se encerrado até 2006, quando foi arrendado pelo Gabinete Comércio Vivo, que utilizou as suas instalações até 2010. Novamente fechado, viria, em 2016, a ser arrendado pela Câmara do Porto que, em 2018, lançou um concurso público para a sua reabilitação e transformação em “Batalha Centro de Cinema”.

O projeto de arquitetura do “Batalha Centro de Cinema” ficou a cargo do Ateliê 15, de Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez. Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto, citado pelo portal Porto.pt considera que “os dois nomes incontornáveis da escola do Porto – aliás, com ligações históricas ao equipamento – conceberam um projeto que dá resposta aos desafios tecnológicos e usos culturais previstos para o Batalha, gerindo, ao mesmo tempo, as vicissitudes patrimoniais de um edifício singular, classificado, em 2012, como Monumento de Interesse Público”.

Para além das suas duas salas de projeção, preparadas para exibição de formatos digitais e analógicos – a Sala Grande com 333 lugares (Plateia: 183, mais 4 para pessoas com mobilidade reduzida; Tribuna: 112; Balcão: 34) e a Sala Estúdio com 134 lugares (2 dos quais para pessoas com mobilidade reduzida) –, o Batalha Centro de Cinema integrará um espaço de galeria de 65 metros quadrados dedicado às artes visuais; uma biblioteca especializada em cinema, que pretende ser “um epicentro” daquilo que é o acervo documental sobre a sétima arte, e, ainda, uma mediateca dedicada ao património fílmico da cidade do Porto, com um arquivo digital que será trabalhado ao longo dos anos.

O novo espaço incluirá ainda um bar, resultante da recuperação do antigo salão de chá e café – onde nos anos 70 foi construída a Sala Bebé – e que estará equipado para exibições e performances.

 

“Projeto de transformação é de alguma complexidade”

A reabilitação do Cinema Batalha é um desafio à altura da TPS, SA. Emídio Lopes, engenheiro da empresa e Diretor de Produção, considera a transformação do Cinema Batalha um “projeto de alguma complexidade de execução, fruto das suas características e materiais adotados”.

Com as obras a caminharem para a sua fase final, aquele técnico refere que “no decorrer da construção, foram aparecendo métodos construtivos de época que não estavam previstos, o que originou ainda maior complexidade, quer na feitura dos trabalhos, quer nas soluções encontradas”.

Reconhece, porém, que “o edifício vai ficar equipado com equipamento de última gama, seja ao nível de projeção, de eletricidade, som ou AVAC (Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado”. 

“Uma das particularidades desta empreitada, que é, também, uma preocupação acrescida, tem a ver com a acústica do edifico, pelo que se tem recorrido às melhores soluções, de forma a dotá-lo de uma insonorização capaz de poder permitir vários espetáculos em simultâneo”, refere aquele responsável.

Em termos de acessibilidades, reconhece Emídio Lopes, trata-se de um projeto bem elaborado, “que permite aos utilizadores a possibilidade de verem o seu espetáculo sem que se encontrem pelos corredores. Está preparado para receber pessoas com mobilidade reduzida em todos os espaços do edifício”.

Emídio Lopes disse, ainda, a AMARANTE MAGAZINE que as questões de segurança contra incêndio estão bem garantidas e equacionadas pelo projeto, “não permitindo falhas que possam, no futuro, num equipamento desta envergadura, preocupar os seus utilizadores”.

“As cores originais da fachada da primeira pintura realizada aquando da inauguração do Cinema Batalha vão ser recolocadas nesta reabilitação, por forma a manter a originalidade do edifício, que vai permitir à cidade do Porto ter mais um espaço disponível para os seus munícipes poderem usufruir e partilhar memórias de outras alturas”, sublinha Emídio Lopes.

Segundo a Câmara Municipal do Porto, o Batalha Centro de Cinema, que será dirigido por Guilherme Blanc, abrirá portas em fevereiro de 2022.”

 

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